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Um património do tamanho do mundo.

por Filippa, em 19.04.17

 Vergonhosamente aqui admito pela centésima vez que há muito tempo não lia autores portugueses. Deixei-me andar pela má vida e negligenciei este gosto que tanto prezo. Depois da aventura de ler a biografia do Hitler decidi voltar a um campo tão nosso, a literatura portuguesa. Estou decidida a acabar os livros que tenho na estante ainda por deitar a vista, são cinco e apenas um era português por isso comecei por aí. 

"A Morgadinha dos Canaviais" é o que estou a ler atualmente e só queria saber expressar por palavras a sensação que foi voltar a casa. Acho que até hoje nunca me tinha apercebido do privilégio e prazer que é ler em português. Passei demasiado tempo por autores estrangeiros e por obras traduzidas e por muito boa que seja a tradução (o que vamos admitir que muitas vezes não é) há sempre algo que se perde no meio da passagem de idioma x para português.

Conhecemos as palavras, choramos com o desfecho, não dormimos com o enredo mas há algo muito pessoal que se deixa pelo caminho quando a língua original é deixada para trás. No nosso português por exemplo costumam dizer que saudade é uma palavra que não tem tradução para mais nenhuma lingua, são sete letras que formam algo com uma sonoridade completamente "tuga". É certissimo dizer isto, o mesmo se passa com as traduções dos livros, pode ser tudo muito bem traduzido, até mesmo aquelas expressões carateristicas de certo povo mas há sempre algo que se perde, é como se no ínicio o livro tivesse sido entregue com 100% de alma e paixão e quando chega a nós leitores resta apenas uma pequena percentagem.

Ler em português é receber a alma de um autor no seu estado mais puro, não há barreira da lingua, quanto muito há palavras que não percebemos mas isso deve-se mais a nós do que propriamente ao livro. Ler em português é ler aceleradamente como se a cada parágrafo a excitação aumentasse, é dar jeito à fala das personagens, interpretar em voz alta na nossa cabeça exatamente  como se a cena se passasse mesmo à nossa frente. 

Sinto-me diferente por ter voltado à base, ler autores portugueses deixa-me muito feliz e foi preciso ficar tanto tempo afastada para perceber a falta que me fazia. Afinal toda esta aventura começou bem lá longe com "Uma Aventura no Palácio da Pena" e no conforto que me deu saber as pedras da calçada que as personagens pisaram e o monumento  que serviu de paisagem à história. 

Sabem aquele conforto bom que sentimos quando está a chover e nós estamos em casa bem tapadinhos e quentinhos? Cheguei à conclusão que ler em português é o meu cobertor quentinho em dias chuvosos, é a minha proteção e o meu conforto, aquele que nos faz aquecer a alma e no fim nos diz "vês como somos capazes de escrever coisas belas?" 

Temos muito património, o nosso país é uma arte conjunta de natureza com monumentos e gentes incriveis mas muitas vezes esquecem-se de referir esta jóia que é a nossa literatura. Seríamos dos países mais ricos do mundo se a riqueza se medisse pela qualidade da literatura. Que bom é descobrir como a leitura ainda me proporciona momentos e sensações tão boas 

 

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publicado às 21:19

Cinco meses.

por Filippa, em 03.04.17

Cinco meses. Cinco meses foi o tempo que demorei a ler a primeira biografia que me comprometi a fazer. Há uns dois anos (?) quando saiu a biografia de Hitler no Expresso apressei-me a fazer a coleção, essa parte da história é algo que me fascina muito e como só tive história até ao 9º ano senti que ainda era muito ignorante neste assunto. Demorei a começar e demorei ainda mais a acabar. Desde novembro até agora as minhas leituras não foram nada mais nada menos do que a vida, os delirios, a personalidade, a excentricidade de um dos maiores assassinos, ditadores e lunáticos da história mundial. 

Não sei se foi por ser a biografia da pessoa em questão mas confesso que me custou mais do que estava à espera, tal como já disse nunca tinha lido nenhuma biografia, sempre fui moça de romances e fantasia e esta aventura foi mais desgastante do que o esperado ao inicio. 

Desgastante mas ao mesmo tempo enriquecedor, ler esta biografia fez-me refletir muito e aprender em igual medida. Costumo dizer que é preciso conhecer o passado para estarmos preparados para o futuro e acho que esta leitura veio na altura certa. O mundo está a pôr-se perigoso de novo, os intolerantes, xenófobos e racistas estão outra vez a sair da toca e a tomar a liberdade de pôr todos os seus preconceitos em prática. Não me estou a preparar para uma guerra, não tenho mochilas na despensa com mantimentos, estojo de primeiros socorros e água mas parece que paira no ar esta sensação de "não estaremos em paz muito mais tempo" e se realmente vier a acontecer não é algo que me vá apanhar de surpresa. 

Hitler foi uma personalidade única na história mundial, um ditador assassino, preguiçoso, paranóico, frustrado, preconceituoso, intempestivo, dono de uma capacidade única na hora de falar para os seus seguidores mas acima de tudo muito esperto. Cada vez me convenço mais que Hitler era muita coisa, a maioria delas má mas era uma pessoa muito esperta e que surgiu na altura certa. Altura certa para destruir a europa claro mas há sempre as alturas ideais, até para fazer mal. 

Adolf Hitler em situações normais não seria ninguém, um homem que nunca fez nenhum da vida, um falhado que nunca admitia os seus erros, uma pessoa que desde toda a sua juventude até à fase adulta nunca fez nada de relevante, não estudou, não quis aprender nenhum oficio, um moribundo que chegou a não ter casa mas que mesmo assim, mesmo sendo um inútil com ideias muito próprias conseguiu destruir uma Alemanha avançada e moderna. Este homem foi capaz de pôr pessoas contra pessoas, este assassino não tinha compaixão por ninguém, nunca teve pelos judeus como é óbvio mas na hora da derrota nem pelos seus queridos alemães teve misericórdia. 

Hitler aconteceu porque as circunstâncias assim o permitiram, a Alemanha vinha da "ressaca" de uma humilhação na primeira guerra mundial, as pessoas estavam mal, a economia estava péssima, o desemprego era alto. Havia necessidade de meter a culpa em alguém e ele como que apareceu como o salvador da pátria, o messias que iria fazer da Alemanha a grande potência que nunca tinha deixado de ser. 

Soa familiar? A mim também. Hitler foi um homem cheio de sorte, mesmo quando a sorte da guerra estava a mudar para a Alemanha ele conseguiu escapar a uma tentativa de assassinato, ele achava que estava destinado, que a Providência o protegia, ele realmente estava destinado mas era a destruir tudo o que lhe pudesse fazer comichão. 

A vida dá muitas voltas e se tivesse sido noutra altura provavelmente o ditador que todos bem conhecem nunca teria saído da sarjeta mas a verdade é que ele existiu e talvez seja bom lembrar que nunca estamos livres de pessoas assim. Eu prezo muito a minha liberdade, sou feliz por poder escrever este texto e o máximo que me pode acontecer é receber uns comentários maldosos. Sou grata pelo país onde vivo, pelos valores que tenho e por sermos um povo onde a diversidade encaixa. Aprendi muito com esta biografia, foram cinco meses de uma aula de história infindável. Sinto-me um bocadinho mais rica em conhecimento e no fim posso dizer que foi uma leitura agradável, dificil mas ao mesmo tempo prazerosa. Cobarde como era Hitler matou-se e mandou que queimassem o seu corpo e o de Eva Braun antes que os soviéticos lhe pudessem meter a mão mas não há dúvida que pela sua singularidade este homem seria obra de um grande estudo. Ele foi um assassino, um dos piores que há memória mas também tinha o seu lado inovador, já naquele tempo ele acreditava que por exemplo as estradas e os automóveis seriam a forma de nos movimentarmos no futuro. Não estava errado. 

Um cobarde que levou milhões de pessoas à morte (não esteve sozinho mas foi o principal responsável), um sujeito que nunca se quis comprometer com nada, um propagandista em estado puro, um paranóico agarrado ao poder e um convencido que se achava mais inteligente e preparado que todos os outros. Ainda bem que assim foi, ainda bem que Hitler nunca confiou no seu exército, ainda bem que ele se tornou chefe supremo das forças armadas e que começou a ditar estratégias militares que levaram à catástrofe. Se assim não tivesse sido podiamos viver num mundo muito diferente. 

Foi uma leitura muito rica a vários niveis e apesar da demora em ler, fiquei com o bichinho das biografias. Agora regressarei aos meus romances mas logo logo voltarei a ler sobre pessoas marcantes da nossa sociedade

 

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publicado às 21:40

A loja onde trabalho foi para remodelação e como não sabiam o que fazer connosco mandaram-nos para uma formação de dois dias. Uma semana antes da loja fechar começámos a avisar os clientes habituais para entre dia x a y não irem à loja porque ela estaria a receber obras. Como é normal as pessoas perguntaram-nos o que fariamos nós, se ficariamos uma semana de férias (como se alguma vez eu fosse gastar uma semana de férias em março ou eles oferecerem dias a seja quem for) ou se iriamos trabalhar para outras lojas. Nós lá respondemos que iriamos ter dois dias de formação e depois iamos ajudar a "ajeitar" a loja, a maioria apenas sorriu e seguiu com  a sua vida mas outros olhavam e ainda diziam "formação? Como se vocês precisassem de formação para passar uns artigos na caixa". Caro cliente concordo consigo, efetivamente não há muita ciência em passar uns artigos pelo leitor e achar que isso é o que fazemos oito horas por dia talvez mostre mais ignorância do que pensa mas tem toda a razão, há efetivamente formações que nos deveriam ser dadas e eu vou apenas enumerar algumas:

1. Curso intensivo e condensado de psicologia: A formação foi apenas de dois dias mas acredito que se tivessem dado a mim e aos meus colegas uma noção básica de psicologia e da nossa formação psicológica enquanto seres humanos teria sido dos dias mais úteis dos últimos anos. Voltando a si caro cliente, talvez não faça ideia as pessoas que "nos passam pelas mãos" que precisam muito mais do que o arroz ou dos ovos que vão pagar. Não faz ideia das velhotas que se encostam à nossa caixa e começam a falar dos seus problemas, nós lá tentamos dar alguma atenção mas o trabalho acumula-se e efetivamente não nos pagam para estar à conversa. 

2. Formação em "como mandá-lo à fava sem que você perceba": Caro cliente não faz ideia como seria útil alguém nos dizer como usar e abusar de uma lingua portuguesa mais erudita para que mandássemos pessoas como você à fava e você ainda assim não percebesse. É verdade que o cliente é a razão de estarmos ali e que se começarmos a mandar este e aquele para plutão e marte não vai sobrar ninguém que justifique o nosso ordenado mas há limites certo? Eu sou uma pessoa bastante calada, quando há clientes que passam os limites a nivel verbal eu prefiro manter o silêncio e fazer aquele ar de parvinha do que entrar em discussões. Não quero que peça o livro de reclamações e tento lembrar-me sempre que estou a representar a empresa e a minha má conduta afeta o meu empregador tal como afeta futuramente outros colegas meus mas bolas, merecemos respeito certo? Temos direito a replicar e dizer uma ou duas que arrume com a pessoa certo? É que as pessoas depois ficam muitos ofendidas porque parece que não disseram nada e nós é que, para além de sermos uns lerdos que passamos os dias a passar artigos nas caixas, ainda temos a ousadia de responder a quem lhes dá de comer. 

3. Formação em anatomia mágica: Caro cliente que vai à loja todos os dias e vê exatamente as mesmas pessoas, somos poucos, a empresa recusa-se a meter mais gente e cada vez nos exigem o trabalho de um batalhão. Quando vê a loja um bocadinho mais desarrumada ou mesmo suja, é o primeiro a reclamar e a dizer que sempre que vai a lojas daquela marca é tudo um nojo pegado mas quando vê tudo limpo, organizado e arrumado já não é capaz de reconhecer o bom trabalho certo? Digo-lhe caro cliente que pensa que não há ciência nenhuma em passar artigos no leitor, os dois dias de formação teriam sido imensamente úteis se nos tivessem ensinado a arte de clonagem instântanea ou réplicas temporárias. Quando temos 50 ou mais coisas para fazer dava tanto mas tanto jeito. Acredito que apanhando nós o jeito as lojas nunca estariam fora dos eixos. 

4. Formação em memória fotográfica: Ora caro amigo esta é fácil certo? Não sei se é destes mas quando nos vêm perguntar se determinado artigo está em promoção nós ou respondemos que sim senhor está em promoção ou temos de ir confirmar. Até aqui tudo bem, quer dizer, eu não sou nenhuma máquina. O pior é quando dizem "mas não trabalha aqui? Não devia saber isto?', claro que devia mas não sou capaz. Lamento, é uma capacidade que não me atingiu na sua plenitude. Sei no geral o que está em promoção mas não sou capaz de decorar tudo, peço muitas desculpas se tenho de me auxiliar da caixa registadora ou do panfleto. Lamento mesmo que tenha de ser atendido por uma burra como eu. 

5. Formação em ensino: Desculpem mas às vezes dá mesmo vontade de perguntar "olhe por acaso sabe ler?". Sou a primeira a dizer que as promoções muitas vezes não são claras, no mesmo expositor (e principalmente quando são seguidas) as coisas tornam-se confusas, muitas vezes acontece a promoção estar em baixo de um produto que não é o assinalado no papel (acontece muitas vezes e acontece apenas porque a maneira como as promoções são assinaladas não é a melhor) mas muitas das situações podiam ser evitadas se as pessoas simplesmente lessem. Se no papel está escrito arroz não podem esperar levar esparguete. As pessoas não têm obrigação de ler e que remédio temos nós de nos aguentar com as queixas mas acabaria por nos poupar a nós e aos clientes se as pessoas simplesmente lessem e tentassem entender um bocadinho da dificuldade em colocar os preços. Acreditem que nós não temos prazer nenhum em enganar ninguém, quando ficamos até às nove ou dez da noite a trocar preços enquanto muita gente já está em casa com o jantarzinho no bucho não é para aldrabar ninguém, temos maneiras muito mais interessantes de ocupar o nosso tempo.

6. Formação em "lembra-te da boa educação que os teus pais te deram": Barulho gera barulho, gritos geram gritos e gritar com um cliente normalmente gera queixa no livro de reclamações e com razão. O cliente não tem sempre razão mas em último caso é o nosso objeto de trabalho e por isso tem de ser tratado com cuidado. Por vezes é dificil, temos de engolir muitos sapos para não desatar aos berros com a pessoa quando sabemos que temos razão. Não há nada pior que um cliente que chega ao pé de nós e para fazer valer o seu ponto de vista mente e diz coisas que nós sabemos que é impossivel de ter acontecido. Pior é nós sabermos que está a mentir e mesmo assim temos de dar o braço a torcer porque é o nosso trabalho, vamos fazer o quê? No fim de contas é a imagem da empresa que está em jogo e não podemos virar a barraqueira que há em nós. Há momentos que nos saltam a tampa, a mim o pior que me podem dizer é "já tenho tido muitos problemas com a vossa empresa, vocês anunciam uma coisa e depois fazem outra, gostam de enganar as pessoas". O senhor ou a senhora acha mesmo que eu gasto horas do meu dia a atender outras pessoas para as enganar? Acha que tenho assim tão pouco respeito pelo outro que quero impingir x a preço de y? Conheço-me a mim e conheço os meus colegas e quando alguns clientes se saem com estas tiradas eu atinjo o ponto de ebulição. Não faço ideia o que se passa nas outras lojas do grupo mas sei bem a equipa com que trabalho e chamarem aquelas pessoas de desonestas causa-me revolta. Precisava, precisava mesmo que me ensinassem a não me importar com isto mas torna-se impossivel e se fosse daquelas pessoas explosivas tenho a certeza que há muito tempo que estava no desemprego. 

Fiquei triste com o comentário do tal cliente, triste pelo comentário e pelo tom dado. Foi de menosprezo e gozo. O senhor vestia um fato de aspeto caro e aposto que seria advogado ou médico, naquela zona é só gente fina mas porque raio teve tão pouca consideração por nós? Não é preciso curso superior para trabalhar num supermercado, basta saber ler e fazer contas e não pretendo com este texto dizer que ser operador num supermercado é o trabalho mais dificil do mundo porque não é mas também não é a coisa mais fácil do mundo. O nosso alvo não são as pessoas de certa faixa etária ou com determinados interesses, o nosso alvo são todos e isso torna-se muito amplo e complicado. 

Hoje em dia parece-me que ainda há muito preconceito com certas profissões e o preconceito faz com que não se tente perceber todo o trabalho que há por trás do resultado final. É triste mas acredito que um dia isso não será assim. Até lá... Boas compras a todos e da próxima vez que foram a uma loja ou supermercado tentem não mandar as coisas para o tapete ou estar ao telefone e não nos ligar nenhuma, a gerência agradece  

P.S- Pode não parecer mas adoro trabalhar com o público;

P.S 1- O texto pode transparecer o contrário mas sou mesmo uma colaboradora calma e até bastante simpática ;

P.S 2 - Não sou nenhuma revoltada com a vida .

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publicado às 22:16

Fiquei mais consolada.

por Filippa, em 22.03.17

Sabem aquela série que vos conquista desde o primeiro minuto? Ela chega de mansinho à vossa vida, vocês até andaram a adiar porque achavam que não seria nada de especial mas quando finalmente metem a vista em cima não descansam até verem todos os episódios disponiveis? Bom isso acontece-me com muitas séries, sou uma fácil sem filtro, é muito dificil não gostar de determinada série. The Good Wife foi uma série que adorei e quando chegou o seu fim fiquei triste, claro que já esperava mas ainda assim fiz o meu luto. A Alicia era uma das minhas personagens modelo e o que eu chorei qual o Will morreu, como assim matam o homem e ainda se atrevem a envolver a Alicia com outro? Inaceitável! Sofri como ninguém quando meteram a pobre mulher no meio de um escândalo eleitoral, já não sofreu bastante por acaso? Enfim, foi uma série que gostei muito de acompanhar e quando por obra e graça do espirito santo descobri que não tinham deixado a série morrer por completo e avançaram para "The Good Fight" pus logo na lista para ver. Vi ontem o primeiro episódio e foi bom ver a Diane, a Quinn e a nova personagem cuja atriz me faz lembrar a Emma Stone. Foi um conforto para o meu coração, voltei aos cenários de "The Good Wife", à sua atmosfera mesmo que num contexto diferente. A transicção foi bem feita, a Diane é uma personagem forte, a Christine Baranski é uma atriz fantástica e dá uma alma incrivel ao seu papel. Aproveitaram a Lucca que foi uma personagem dos últimos tempos de "The Good Wife" e transferiram-na para esta nova série. 

Acabaram a história da Alicia quando já estava a ficar gasta mas sem dúvida que souberam ver que tudo que era exterior a essa personagem era forte o suficiente para continuar esta aventura. Estou entusiasmada com esta nova etapa, espero que não seja daquelas séries que serão canceladas, para já renovaram uma segunda temporada E OH MEU DEUS A TALCIONI VAI APARECER! Espero que metam o Cary lá para o meio, sei lá, a Diane que o vá buscar, NÃO SEI!, só o tragam de volta. 

O meu coração consolou-se e eu aumentei o meu desespero porque entre todas as séries que vejo tenho 186 episódios para ver e meter em dia 

 

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publicado às 14:31

Ainda sobre o dia da mulher.

por Filippa, em 09.03.17

O dia da mulher é todos os dias não é o que dizem? Então pronto, aqui estou eu um dia depois a defender isso mesmo. Queria ter feito um post a falar sobre o nosso grande dia ontem mas a vida aconteceu, o sol espreitou em Lisboa, o calor convidou e eu fui para uma esplanada. Dificilmente haveria melhor maneira de celebrar este nosso dia tão especial, estava de folga e aproveitei para ir apanhar ar. Nada melhor que isso. 

Sou daquelas pessoas que concorda imenso com a existência destes dias, acho que as coisas boas merecem ser celebradas, a mulher, a criança, as mães, os pais ou os avós. Sim temos de os valorizar todos os dias, presenteá-los quando merecem mas porque não haver um dia para celebrar? Nós, o melhor que conseguimos ser merece ser celebrado. Ainda não fui mãe mas trabalho-me diariamente para ser uma boa mulher, uma boa filha, talvez um dia uma boa mãe mas acima de tudo quero ser sempre o melhor eu. 

O dia da mulher existe e quando todos os anos chega a 8 de março são imensas as reportagens sobre a desigualdade entre géneros, no facebook as mulheres (aquelas que nos outros dias do ano dizem mal umas das outras) publicam frases muito inspiradoras e de como temos de nos apoiar umas às outras, enfim essas falsidades que só mesmo nós conseguimos fazer (nisso admiro os homens, eles são muito menos falsos que nós). 

O dia da mulher existe para nos lembrar que nós somos muito mais que 'mulheres ainda recebem menos que os homens', 'o lugar das mulheres é na cozinha', 'no meu tempo as mulheres davam-se mais ao respeito', 'aquela puta roubou-me o marido, não tem respeito por ninguém'. Não! Nós somos pessoas e talvez estes dias sirvam para nos lembrar disso mesmo, sou mulher mas sou uma pessoa, sou homem mas sou uma pessoa. Tirando diferenças a nivel biológico nada nos distingue dos homens, o que nos diferencia? Há mulheres que adoram futebol, há homens que morrem por uma base ou um rimel. Há mulheres que levantam pesos de x kg e há homens que mal conseguem pegar num saco de batatas de 10 kg. 

Talvez o problema não seja dos homens que nos vêem como o sexo mais fraco e com toda a certeza o problema não é nosso que nos sentimos injustiçadas. Nós somos injustiçadas, nós nunca seremos livres enquanto houver uma mulher no mundo refém da sua sexualidade, enquanto houver mulheres que não podem ser mulheres nós nunca seremos iguais aos homens. Assim como eles nunca serão iguais a nós se houver homens que nunca poderão ser livres de ser homens na sua essência e quando falo em essência não é uma mini, futebol e ai da mulher que fale, falo da essência de cada um. O problema é a nossa base e de como sempre nos disseram que isto era isto e aquilo era aquilo. 

No outro dia li uma noticia que falava sobre a hipótese de a Conchita Wurst morrer, ou seja, o cantor ou o homem que lhe dava cara disse que a Conchita já fez tudo o que tinha a fazer neste mundo e que estava na altura de matar a personagem. Sendo eu fã da eurovisão é claro que conheço perfeitamente a Conchita Wurst, apesar dos media portugueses terem sido um inferno com isto, chamando-a de mulher barbuda eu simplesmente adorei a personagem e fiquei mesmo muito feliz quando venceu o certame em 2014. A Conchita nunca vai morrer porque a personagem representa tudo aquilo  que devia ser a tolerância entre homens e mulheres. Ok que a pessoa "real" é um homem mas qual é o problema se uma mulher quiser andar de barba? Ou um homem quiser andar de saltos? Quem disse que isso é errado? 

A nossa liberdade acaba onde começa a do outro e neste dia (que foi ontem) tão especial, este ano, eu decidi falar de mulheres presas noutros corpos. Estou a passar por uma fase tão boa, todos os dias sinto-me a evoluir enquanto pessoa, os meus gostos mudam, sinto-me uma mulher diferente e como amo ser mulher. Nasci mulher, identifico-me como tal e amo a minha condição. Sinto-me feliz e tranquila com este processo de auto descoberta mas tenho plena consciência que há muitas pessoas por aí que vivem conflitos bem piores. Mulheres presas dentro de corpos masculinos e homens que anseiam por um corpo feminino.

Este mundo não precisa do dia da mulher para lembrar as desigualdades, a Terra precisa do dia da mulher para lembrar que somos todos humanos, que não há uma fórmula certa para sermos perfeitos, a mulher não é delicadeza, saias e batom e os homens não são barba rija e o leva pão para casa. Precisamos de voltar ao inicio de tudo e questionar aquilo que acreditamos, aquilo que sempre nos disseram que era o certo e aceitável. Nós somos diversidade e a partir do momento que nos aceitarmos assim as desigualdades vão acabar.  A diferença do outro não tem de nos fazer confusão, o talento do outro não tem de nos causar inveja. A diferença celebra-se e o talento é natural a nós. 

Homem e mulher são apenas palavras e está aberta a todo o tipo de interpretações desde que respeitemos a liberdade do outro. Há sitios no mundo onde a liberdade nem sequer é uma palavra sonhada e é isso que não podemos permitir, tanto a mulheres como a homens. 

A nós mulheres, continuemos a lutar por nós e por todos os outros, a mudança vai demorar anos, talvez milénios se não destruirmos o planeta até lá. A vocês homens, sejam também a vossa melhor versão e vão ver que a diferença é minima entre nós e vocês. Afinal o que é ser homem? O que é ser mulher? Sejamos acima de tudo felizes. 

Feliz dia da mulher (atrasado) para todos aqueles que se afirmam e se sentem como tal 

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publicado às 14:04


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