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De Ténis e Livro na Mão

Façam o favor de ser felizes!

De Ténis e Livro na Mão

Façam o favor de ser felizes!

31
Mai17

Da série: Frases com sentido.

Filippa

“É preciso que saibas, Criste, que é mais fácil conhecer os defeitos de uma pessoa, do que as suas boas qualidades. Os defeitos são imprudentes e linguareiros, denunciam-se, dão sinal de si, basta meia hora para se descobrirem em qualquer lugar que habitem. As boas qualidades, não; essas são modestas, humildes, discretas, sabem esconder-se. São precisos anos para as descobrir todas.”

A Morgadinha dos Canaviais de Júlio Dinis 

 

30
Mai17

Aqui me confesso: Lenta e organizada.

Filippa

Em tudo na vida nós encaixamos em certas categorias. Somos da equipa que acorda de mau humor, pertencemos ao clã que não consegue comer nada de manhã, defendemos com unhas e dentes a máxima "só funciono depois do meio dia" ou então nascemos para ter o cartão de sócio do grupo "preguicite aguda". Não podia ser diferente quando o assunto toca a arrumar as compras na caixa do supermercado. Temos as pessoas que metem tudo nos sacos conforme vão caindo no seu lado da caixa e rezam para que os ovos que ficaram em baixo não cedam ao peso da fruta, há clientes mais corajosos que mesmo levando meio supermercado recusam saco porque "0.10€ já é dinheiro" e fazem malabarismos dignos de serem admitidos no circo Cardinali, por vezes aparece por lá aqueles que até arrumam tudo direitinho, as coisas mais pesadas em baixo, fruta em cima e tal mas depois na hora de pagar lembram-se que a carteira estava dentro do saco e toca de tirar tudo, muita gente acha também que os sacos são tipo a malita da Hermione em Harry Potter e os Talismãs da Morte e tentam enfiar tudo no mesmo saco ora porque não trouxeram mais nenhum ora porque não querem gastar os tais 0.10€. As pessoas adquirem os seus hábitos e conforme esses hábitos são encaixadas em categorias. Há os rápidos, os lentos, os organizados, os desorganizados e por aí fora. Onde encaixam os operadores de caixa? Falando apenas e só por mim eu encaixo nos lentos e organizados. Quando estou a trabalhar e sabendo quais são os objetivos impostos pela empresa os lentos são uma dor de cabeça para mim, não que me incomodem mas acabam por atrasar a fila mas quando sou eu na fila para pagar sou a pessoa mais lenta do mundo, tanto que agora não arrumo nada na caixa, assim que a operadora passa o artigo no scanner eu volto a pôr no carrinho e arrumo tudo direitinho cá fora. Porquê? Porque sou organizada e gosto de arrumar as coisas segundo o seu peso, tamanho e categoria. Não gosto de juntar fruta com detergentes ou produtos secos com produtos do frio, quando estou a trabalhar faz-me muita confusão quem junta tudo, dá vontade de dizer "Senhora/Senhor que está a fazer? Isso não é assim!" mas quem sou eu para dizer isso? Cada pessoa tem a sua maneira de ser e era só o que faltava chegar ali eu armada em dona da razão a dizer como podem as pessoas ou não arrumar as suas compras. Antes de trabalhar num supermercado não era assim, honestamente nem fazia muitas compras mas agora que as faço não consigo arrumar tudo "ao molho e fé em Deus", acho que como vejo isso acontecer tantas vezes ao dia criou-se em mim um mecanismo de "isto tem de chegar a casa bonito e direitinho". 

Esta sou eu, a operadora que ama de coração os rápidos e desorganizados mas que no fundo é uma eterna lenta e organizada. Alguém por aqui que se inclua na mesma categoria que eu? 

27
Mai17

[Road to Portugal 2018]: #Quote

Filippa

“Esta ideia lançava o conselheiro em um daqueles estados febris, que só pode conceber quem já alguma vez soube o que é ter a sorte dependente de uma votação, e aguardar a cada momento a notícia do resultado dela.

Devora-nos uma impaciência insuportável; tudo o que ouvimos nos aflige; as conversas sobre sobre assuntos indiferentes irritam-nos; se nos tentam alentar com esperanças, revoltamo-nos contra elas; se procuram preparar-nos para um desengano, prevenindo-o, repelimos com energia a ideia dele. O silêncio não nos é mais agradável; as apreensões ganham corpo no meio dele; falam os pressentimentos do mal. Tentamos sorrir, gela-se-nos o sorriso nos lábios. A inquietação é-nos tão intolerável, como o movimento. Ansiamos sair da incerteza, e de cada individuo que chega, trememos de saber a nova fatal. Vai mais longe o efeito moral deste estado de espírito; chegamos quase a querer mal a todos quantos estão assistindo naquele momento à decisão lenta da sorte. O nosso egoísmo, exacerbado em tais momentos, irrita-se com a ideia de que os nossos amigos tenham coração para assistir aquilo; e contudo não lhes perdoaríamos se se retirassem. Sensações daquelas esgotam mais vitalidade, em cada instante, do que anos de vida isenta delas.”

 

Este excerto foi tirado do livro "A Morgadinha dos Canaviais" de Júlio Dinis e digam lá que não retrata quase na perfeição os portugueses na hora da votação da eurovisão em 13 de maio passado? 

26
Mai17

Há desconto especial para as super pessoas?

Filippa

Não me imagino num trabalho que não tenha contacto com o público, muitas vezes é chato e sabendo que fica mal dizer isto eu vou dizê-lo na mesma, muitas vezes as pessoas são más e fazem-no de propósito. Há dias em que parece que mais nada de mal pode acontecer e mesmo assim aparece outra situação para nos provar o contrário. 

Felizmente em três anos de atendimento ao público estas situações ficam lá bem em baixo, são poucas e diariamente acontecem outras que me deixam feliz e remetem as más experiências para o fundo da minha mente. Passa de tudo um pouco pelas nossas mãos e ainda bem, há dias em que fico tanto tempo seguido a atender e a passar artigos que se não fosse a peculiaridade de cada um dos clientes sentia-me como uma máquina: "Boa tarde/Vai desejar saco?/Tem cartão?/Vai desejar contribuinte na fatura?", naquelas horas o cliente chato, o que gosta de achar que tem sempre razão, o amoroso, o que só quer despachar-se dali para fora tornam-nos humanos porque fazem com que nós tenhamos de ter atenção a cada um deles e não mexer apenas os braços o mais rápido que conseguimos para fazer bons tempos na caixa e diminuir a fila. 

Presenciamos todos os dias situações insólitas e há umas que me tocam verdadeiramente. Lá na loja existe uma senhora que se reformou para cuidar dos pais, infelizmente o casal adoeceu ao mesmo tempo e a tal senhora acabou por pedir a reforma antecipada. Vocês dirão: "E então Filipa? Não é algo assim tão raro.". É, vocês sabem que é. Quantas histórias ouvimos de idosos que são abandonados nos hospitais ou em lares? Vocês deviam só ver o cuidado e o carinho com que aquela senhora fala dos pais, ela chega a passar uma hora na loja (que é minúscula) e a maioria das coisas são para eles. Dou valor e fico mesmo tocada por atitudes como estas da mesma maneira que fico horrorizada quando leio histórias contrárias. 

Há muito tempo que atendo também uma senhora que tem um filho com trissomia 21 (é o que me parece) e o seu marido também ficou um pouco perturbado deixando de conseguir ser uma pessoa "normal". Há dias em que ela aparece-me na caixa com um ar muito abatido, já não é nova e os problemas de saúde por vezes são um problema mas na maioria das vezes aparecem sempre os três, ela a clara comandante da tripulação, o marido e o filho a reboque dela. Nunca a vi dirigir uma palavra mais brusca a nenhum deles, tem a maior calma do mundo e enquanto me paga a conta encarrega-os de arrumar as compras, mesmo que depois de pagar tenha de arrumar tudo ela outra vez. 

Estas pessoas são incriveis, olho para elas e considero-as uma inspiração, dá gosto atender mesmo que atrás delas venham pessoas intragáveis que só nos fazem querer soltar uns impropérios (seria lindo). Este é um dos privilégios de poder lidar com a nossa espécie todos os dias, aprendemos sempre algo, rimos de alguma situação e sinceramente, se estas pessoas sorriem para a vida, como posso eu não me sentir motivada e inspirada para trabalhar e ser melhor? Sabem o que é pior? Nunca poderei dizer a estas pessoas o quanto elas me inspiram e o quanto gosto de as atender, seria no minimo estranho mas ao mesmo tempo seriam palavras que mereceriam ouvir. Mereciam ou não mereciam um desconto especial por serem pessoas absolutamente espetaculares?  

25
Mai17

[Road To Portugal 2018]: Uma semana depois.

Filippa

25 de maio de 2017. Juro que ainda hoje parece mentira. Aquilo aconteceu mesmo? A votação foi mesmo assim tão grande? O Salvador ganhou mesmo? Portugal saiu mesmo da cepa torta no que diz respeito à eurovisão? 

Juro que desde o dia 13 de maio que ando nas nuvens, os dois dias que se seguiram à vitória consumi tudo o que foram notícias na internet, aberturas de noticiários, comprei revistas em que o Salvador fez capa (calma aí revistas cor-de-rosa, lamento mas a vida amorosa do vencedor da eurovisão não me interessa), não arredei pé do grupo no facebook onde sigo as noticias da eurovisão, vi e revi a atuação do Salvador e também as votações, foi um consumo extremo de eurovisão. Fiquei maravilhada com os comentários de pessoas de outros países que falavam bem, chateada quando escreviam que era o pior vencedor de sempre. Como assim o pior vencedor de sempre? Vencemos a votação do júri e o televoto e ainda têm a lata de dizer que somos o pior vencedor de sempre? Somos é o melhor vencedor de toda a história, isso sim! 

Tem sido uma semana fantástica, arrisco-me a dizer que o efeito da vitória na eurovisão e toda a felicidade que em mim provocou vai-se prolongar por muitos meses, provavelmente até maio de 2018. 

Como já escrevi noutros posts, eu trabalho diretamente com o público. Sendo operadora de caixa num supermercado é fácil sentir o pulso às pessoas e nestas alturas é sempre muito engraçado ver como as pessoas reagem. Quando Portugal venceu o europeu de futebol para além do dinheiro a mais que fizemos em bebidas e aperitivos notava-se que as pessoas estavam diferentes, apressadas porque queriam ir ver o jogo, confiantes porque Portugal tinha a oportunidade de vencer e havia algo mais, Portugal não é um país habituado a vencer, como tal os portugueses não são pessoas que já estejam enjoadas de êxitos e quando chegam estas alturas acho que as próprias pessoas não sabem como reagir, ou estão confiantes demais ou pessimistas até à cova. 

No dia a seguir à vitória do Salvador não fui trabalhar mas na segunda quando voltei não se falava de outra coisa, os adultos nem falavam muito, os adolescentes muito menos mas a "terceira idade" não se calava com a eurovisão. É bom lembrar que foram os nossos avós que inauguraram o festival da canção, se há pessoas que conhecem o calvário de Portugal no certame são eles e por isso acaba por ser normal que sejam os que estejam mais felizes com este triunfo.

"Oh menina viu a nossa vitória?", "Ah eu quando ouvi a música disse logo que íamos ganhar", "A nossa canção era a mais bonita de todas", "Venceu pela simplicidade, os irmãos fizeram um milagre". Foi bonito de ouvir e ver os sorrisos nas caras, eu como fã incondicional da eurovisão quando alguém tocava no assunto só me apetecia era ficar horas e horas a debater mas rapidamente voltava à realidade de que estava no meu local de trabalho e que tinha era de fazer a fila andar. 

Continuo de coração cheio e ao contrário do presidente da República não fico preocupada por os portugueses agora acharem que vão ganhar tudo, meus amigos nós só não conseguimos o que não queremos. Somos incriveis 

14
Mai17

[Road To Lisbon 2018]: De coração cheio!

Filippa

Não há ninguém neste mundo que não seja um bocadinho sonhador. Há vários tipos de sonhos, aqueles facilmente realizáveis que basta apenas um pouco de trabalho e conseguimos, há aqueles que temos de trabalhar mesmo muito e que no fim dão um enorme gozo por ter sido tão dificil e depois há aqueles que são praticamente irrealizáveis. Sim não sou apologista que mesmo com todo o sacrificio e trabalho todos os sonhos se realizam, sejamos honestos, há coisas que são completamente impossiveis de acontecer. 

Eu tenho alguns sonhos e todos se encaixam em alguma das categorias que citei. Em 2008 comecei a seguir a eurovisão, não me lembro como nem porquê, simplesmente aconteceu e foi logo no ano da nossa melhor participação em praticamente 10 anos. Vânia Fernandes levou "Senhora do Mar" a Belgrado e conseguiu um honroso 13º lugar (honroso porque estamos a falar de Portugal) mas houve momentos em que se sonhou com um Lisboa 2009. Os anos foram passando, pelo palco da eurovisão passou Flor-de-Lis, Homens da Luta, Filipa Azevedo, Filipa Sousa, Suzy, Leonor Andrade e nenhum deles conseguiu sequer arranhar o top 10 da final. Já estava mais que convencida que se não tinha sido com a Vânia Fernandes então nunca mais na vida íamos ganhar, a RTP também não parecia propriamente interessada em trazer o certame para Portugal, os Festivais da Canção eram horríveis, as coisas pareciam ser feitas todas só por fazer e uma pessoa quando vê assim o caso tão mal parado começa a desanimar e a achar que não vai ser nesta vida que a coisa se vai dar. 

Sou muito crítica da nossa estação pública em relação à eurovisão porque sempre achei (e continuo a achar) que era possivel fazer sempre mais com menos. Vamos ser claros em relação a isto, a nossa indústria musical (se é que se pode dar este nome) não é propriamente o ramo mais forte do país, só há bem pouco tempo é que as rádios mais ouvidas começaram a passar artistas portugueses e portanto quando não tens uma indústria sólida que te possa suportar também é dificil fazer as coisas acontecerem. A Suécia que é neste momento o país sempre a temer na competição tem uma indústria fortissima, eles têm compositores a escrever letras para os quatro cantos do mundo, a própria escolha para o certame é todo um espetáculo, nada que se compare a nível europeu. Mesmo assim acho que a RTP podia fazer mais, só para dar um exemplo a nossa estação pública produz o "The Voice" de onde saem vencedores com vozes incriveis, não acredito que seja dificil encontrar bons compositores e enviarem músicas fortes para representar a nação. 

O tempo foi passando e eu comecei a achar que ver Portugal vencedor da eurovisão seria daqueles sonhos impossiveis de acontecer, já tinha colocado isso bem lá fundo da minha alma, foi um género de "aceita que dói menos" e acabei mesmo por me resignar. Continuei a acompanhar o festival porque amo de coração tudo o que envolve, desde as finais nacionais de todos os países, a revelação da cidade anfitriã, os tops feitos pelos fãs e publicados no youtube, tudo isso é eurovisão e faz-me adorar cada vez mais isto. 

Ontem quando o veredicto chegou e Portugal foi coroado o grande vencedor a minha reação foi chorar, chorar e chorar ao ponto de soluçar e deixar a minha mãe preocupada. Sabem quando acontece algo que vocês querem muito e quando se torna real só se lembram de vocês quando começaram a sonhar com isso? Só me consegui lembrar da menininha que em 2008 começou a encantar-se com isto, da jovem que sofre a bom sofrer anos após ano e que parece que é sempre em vão. Só me apeteceu poder abraçá-la e dizer "Vês como também conseguimos?"

A vitória do Salvador Sobral é monstruosa e eu acho que o próprio não tem noção disso. Agora todas as televisões falam da cultura portuguesa e da importância desta vitória, algo que não é novo para mim. Ao longo dos anos tenho dito que uma vitória portuguesa seria um enorme boost para a economia e turismo. Portugal está na moda e com mais este sucesso a garantia é que vai continuar a estar, nós temos uma capacidade de organização fantástica e por isso não tenho dúvidas que o ESC 2018 será memorável. 

A nossa conquista vem também num momento importante para a nossa música, parece-me claro que estamos a assistir dentro do nosso país a um virar de página, como disse lá bem em cima as rádios começaram a dar mais atenção à música portuguesa, já não é assim tão raro ouvir um artista português passar na rfm ou na rádio comercial. A vitória de ontem vem dar ainda mais força a este movimento e eu acho muito curioso que tenha sido precisamente este cantor a dá-la. Salvador é muito peculiar, ele é ridicularmente honesto, brutalmente talentoso e isso faz com que seja um estranho e quer queiram quer não a sociedade portuguesa ainda estranha as pessoas que pensam e são fora da caixa. Eu lembro-me bem do que se disse quando ele venceu o Festival da Canção, chamaram-lhe de tudo e mais alguma coisa e essas mesmas pessoas de certeza que foram os primeiros a aplaudi-lo, isto é o típico português. 

Foi uma chapada de luva branca para todos nós, já viram o que somos capazes de fazer quando pomos na cabeça que somos bons? Ontem eu amei por duas, por mim e pelo eu que começou esta jornada. Foi um momento incrivel, eu que sou benfiquista ferrenha, tinha acabado de chegar do estádio e dos festejos do tetra, as primeiras lágrimas e consequente choradeira que soltei nesse dia foi com esta vitória. Não há palavras para isto, estou verdadeiramente de coração cheio e meu Deus...... Somos os vencedores da Eurovisão 2017! 

 

03
Mai17

Humano é sinónimo de atenção

Filippa

No dia em que nascemos há certezas em nós que nos acompanharão para o resto da vida, nós sabemos que precisamos de comer para darmos energia ao nosso corpo, sabemos que oito horas é o minimo para nos mantermos bem durante o dia, aceitamos necessidades como mijar ou piscar os olhos milhares de vezes ao dia. Há outra certeza, algo que é uma necessidade básica em nós e que parece que muita gente se esquece. Nós temos necessidade de ter ou chamar à atenção. Como animais racionais que somos, temos noção de nós e do mundo à nossa volta, sentimos o bem que nos fazem assim como lamentamos o mal que nos impingem. 

Ultimamente (secalhar não tão ultimamente assim) tenho reparado que há uma onda cada vez maior contra os chamados youtubers ou bloggers. Estas pessoas são chamadas de "sem vida", "não querem trabalhar", "ganham dinheiro fácil" e as pessoas dizem isto de uma maneira como se os individuos em questão estivessem a cometer um crime contra a humanidade. Esta nova era a que chamamos era digital surgiu devido à inteligência humana, nós somos capazes de desenvolver mecanismos que ajudam o nosso desenvolvimento e temos necessidade de descobrir sempre mais, todos os dias se criam novas ideias que ajudam a vida humana a tornar-se mais fácil no planeta (fácil não significa sustentável). Sites como o youtube ou mesmo todas as plataformas de blogs surgiram devido a essa nossa parte de querer sempre mais e melhor. Surgiu do avanço e da modernização das sociedades. O sucesso que tiveram deve-se à nossa parte psicológica. 

Muitas pessoas encontraram nestas plataformas uma maneira de expressar a sua opinião, de serem elas mesmas, de criar conteúdos e serem originais que de outra maneira não conseguiriam. Conseguiram a atenção que necessitavam. Nós temos essa necessidade, quando escrevo aqui no blog tenho sempre a expetativa de ter algum feedback, principalmente quando acho que o que escrevi é bom e seria bom para "discutir" com outras pessoas porque apesar de não ser aquilo que mais me motiva na hora de ligar o computador e escrever, é uma necessidade que eu tenho. Não conheço as pessoas que alguma vez comentaram o meu cantinho, não sei se são gordas ou magras, empregadas ou desempregadas mas no momento em que cada uma delas gastou um bocadinho do seu tempo a interagir comigo, atenderam e preencheram uma necessidade minha. É por isso que temos de ter cuidado com aquilo que escrevemos na internet, somos livres de dizer aquilo que pensamos mas não podemos fazer de uma necessidade universal uma arma de arremesso. Mesmo as pessoas que comentam têm a expetativa de receber resposta e isto acaba por ser um ciclo. 

Esta fase que agora se vive é um acontecimento natural, quando dou por mim a ver um video de uma rapariga em que passo dez minutos a ver apenas as compras que ela fez na primark, eu sei que isso não vai contribuir para o aumento da minha cultura ou aumentar a minha felicidade mas gosto de ver, se por um lado acho que é um incentivo desnecessário ao consumo por outro não consigo deixar de ver e até comparar com o meu gosto pessoal. 

Nós temos necessidade disto, gostamos que as pessoas reparem naquilo que fazemos e que prestem um pouco de atenção por isso não compreendo esta nova onda que surge contra youtubers e bloggers. Esta moda passará? Provavelmente, todas as modas são passageiras e a nossa sede por desenvolvimento e modernização vai fazer com que daqui a uns anos isto tudo não passe de um 'lembras-te quando...?' mas até lá, aproveitemos o hoje com mais tolerância e felicidade nas nossas vidas 

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