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De Ténis e Livro na Mão

Façam o favor de ser felizes!

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03
Dez17

De pessoas para pessoas

Filippa

Chegou o Natal! A época mais iluminada e positiva do ano. Muitas pessoas chegam a dezembro e sentem-se invadidas por sentimentos de gratidão, esperança e muita alegria. Eu sou assim pelo menos, adoro o natal, fazer a árvore seja ela uma miniatura ou um pinheiro XXL, percorrer as cidades de Lisboa e ver as decorações que tornam a capital um pedacinho de céu. É também uma época de tradições, chega a dia 24 e todos se juntam e comem o bacalhau, toca a meia noite e os que aguentaram até tarde abrem as suas prendas entre a sua própria alegria e a expetativa de quem os rodeia. 

Há um acontecimento muito carateristico desta altura: ir ao circo. Juntamos os miúdos e aproveitamos um fim de semana e lá vamos nós. Este ano aproveitei o feriado de dia 1 para marcar presença, foi o primeiro ano do meu afilhado de dois anos e acabei por ir mais para ver as suas reações do que propriamente pelo espetáculo em si (valeu de muito, ele adormeceu após a segunda atuação). 

O espetáculo não fugiu muito ao que costuma ser, fomos ao Victor Hugo Cardinali que este ano apresentou uma pista dividida entre a tradicional de circo e outra de gelo, foi a minha primeira surpresa. Há alguns anos que não ia ao circo mas não ia com a esperança que houvesse uma mudança de 360º, afinal é o circo onde há espaço sempre para os palhaços, os números de equilibrio, as cenas arriscadas e ainda as atuações dos animais. Houve mais algumas inovações tal como uma atuação muito gira e tensa de motas, foi a minha parte preferida. 

Saí do circo com um misto de sensações, gostei pelo entretenimento, apesar de o circo ser uma espécie de "gira o disco e toca o mesmo" uma pessoa acaba sempre por ir mas por outro lado triste por ter contribuido por um espetáculo que usa animais de maneira abusiva. Falo em uso abusivo não por saber em que tipo de condições aqueles animais vivem ou são tratados, tudo o que sei é o que sabedoria popular fala mas dou por mim a pensar se não somos nós suficientes para nos entretermos uns aos outros? Ri imenso com o número do palhaço, sustive a respiração com a atuação das motas e achei muito gira as atuações no gelo e honestamente não achei que as atuações dos animais tenham contribuido para enriquecer o espetáculo. Cavalos, camelos ou elefantes foi o que nos apareceu pela frente e eu fiquei honestamente triste e com medo, fico sempre. Estamos a falar de animais que não têm na sua natureza serem domesticados, os camelos e os elefantes nem sequer estão no seu habitat natural e cada vez percebo menos a sua utilidade ao espetáculo. Todos os anos fazem exatamente o mesmo, andam às voltas num recinto que é demasiado pequeno para que possam fazer algo mais exuberante o que me leva a pensar que é puro exibicionismo o que acontece neste espaço de tempo. Sinto medo, tanto que me recuso a ir para as primeiras filas, exatamente porque são animais selvagens que não têm na sua natureza ser obedientes e qualquer dia passam-se da cabeça e vai tudo à frente. 

Saí com a certeza que somos mais do que suficientes para nos entretermos uns aos outros, somos uma espécie inteligente com capacidade para inovar, criar coisas novas e atrativas que levem as pessoas a sair de casa, temos todas as ferramentas para nos rirmos uns com os outros ou arrancar qualquer outro tipo de emoção. Não precisamos dos animais para isso, não podemos ser egoístas ao ponto de os manter em cativeiro para nosso próprio gosto. 

Este não é um desabafo contra o circo tradicional ou contra o circo Victor Hugo Cardinali, muito pelo contrário, adoro esta tradição de natal e espero que se mantenha por muitos e bons anos, é mais uma esperança que tenho para o futuro. Se o Natal é a época da alegria, da esperança, da união até quando vamos manter esta hipocrisia? 

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