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De Ténis e Livro na Mão

Façam o favor de ser felizes!

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Façam o favor de ser felizes!

Ainda sobre o dia da mulher.

Março 09, 2017

Filippa

O dia da mulher é todos os dias não é o que dizem? Então pronto, aqui estou eu um dia depois a defender isso mesmo. Queria ter feito um post a falar sobre o nosso grande dia ontem mas a vida aconteceu, o sol espreitou em Lisboa, o calor convidou e eu fui para uma esplanada. Dificilmente haveria melhor maneira de celebrar este nosso dia tão especial, estava de folga e aproveitei para ir apanhar ar. Nada melhor que isso. 

Sou daquelas pessoas que concorda imenso com a existência destes dias, acho que as coisas boas merecem ser celebradas, a mulher, a criança, as mães, os pais ou os avós. Sim temos de os valorizar todos os dias, presenteá-los quando merecem mas porque não haver um dia para celebrar? Nós, o melhor que conseguimos ser merece ser celebrado. Ainda não fui mãe mas trabalho-me diariamente para ser uma boa mulher, uma boa filha, talvez um dia uma boa mãe mas acima de tudo quero ser sempre o melhor eu. 

O dia da mulher existe e quando todos os anos chega a 8 de março são imensas as reportagens sobre a desigualdade entre géneros, no facebook as mulheres (aquelas que nos outros dias do ano dizem mal umas das outras) publicam frases muito inspiradoras e de como temos de nos apoiar umas às outras, enfim essas falsidades que só mesmo nós conseguimos fazer (nisso admiro os homens, eles são muito menos falsos que nós). 

O dia da mulher existe para nos lembrar que nós somos muito mais que 'mulheres ainda recebem menos que os homens', 'o lugar das mulheres é na cozinha', 'no meu tempo as mulheres davam-se mais ao respeito', 'aquela puta roubou-me o marido, não tem respeito por ninguém'. Não! Nós somos pessoas e talvez estes dias sirvam para nos lembrar disso mesmo, sou mulher mas sou uma pessoa, sou homem mas sou uma pessoa. Tirando diferenças a nivel biológico nada nos distingue dos homens, o que nos diferencia? Há mulheres que adoram futebol, há homens que morrem por uma base ou um rimel. Há mulheres que levantam pesos de x kg e há homens que mal conseguem pegar num saco de batatas de 10 kg. 

Talvez o problema não seja dos homens que nos vêem como o sexo mais fraco e com toda a certeza o problema não é nosso que nos sentimos injustiçadas. Nós somos injustiçadas, nós nunca seremos livres enquanto houver uma mulher no mundo refém da sua sexualidade, enquanto houver mulheres que não podem ser mulheres nós nunca seremos iguais aos homens. Assim como eles nunca serão iguais a nós se houver homens que nunca poderão ser livres de ser homens na sua essência e quando falo em essência não é uma mini, futebol e ai da mulher que fale, falo da essência de cada um. O problema é a nossa base e de como sempre nos disseram que isto era isto e aquilo era aquilo. 

No outro dia li uma noticia que falava sobre a hipótese de a Conchita Wurst morrer, ou seja, o cantor ou o homem que lhe dava cara disse que a Conchita já fez tudo o que tinha a fazer neste mundo e que estava na altura de matar a personagem. Sendo eu fã da eurovisão é claro que conheço perfeitamente a Conchita Wurst, apesar dos media portugueses terem sido um inferno com isto, chamando-a de mulher barbuda eu simplesmente adorei a personagem e fiquei mesmo muito feliz quando venceu o certame em 2014. A Conchita nunca vai morrer porque a personagem representa tudo aquilo  que devia ser a tolerância entre homens e mulheres. Ok que a pessoa "real" é um homem mas qual é o problema se uma mulher quiser andar de barba? Ou um homem quiser andar de saltos? Quem disse que isso é errado? 

A nossa liberdade acaba onde começa a do outro e neste dia (que foi ontem) tão especial, este ano, eu decidi falar de mulheres presas noutros corpos. Estou a passar por uma fase tão boa, todos os dias sinto-me a evoluir enquanto pessoa, os meus gostos mudam, sinto-me uma mulher diferente e como amo ser mulher. Nasci mulher, identifico-me como tal e amo a minha condição. Sinto-me feliz e tranquila com este processo de auto descoberta mas tenho plena consciência que há muitas pessoas por aí que vivem conflitos bem piores. Mulheres presas dentro de corpos masculinos e homens que anseiam por um corpo feminino.

Este mundo não precisa do dia da mulher para lembrar as desigualdades, a Terra precisa do dia da mulher para lembrar que somos todos humanos, que não há uma fórmula certa para sermos perfeitos, a mulher não é delicadeza, saias e batom e os homens não são barba rija e o leva pão para casa. Precisamos de voltar ao inicio de tudo e questionar aquilo que acreditamos, aquilo que sempre nos disseram que era o certo e aceitável. Nós somos diversidade e a partir do momento que nos aceitarmos assim as desigualdades vão acabar.  A diferença do outro não tem de nos fazer confusão, o talento do outro não tem de nos causar inveja. A diferença celebra-se e o talento é natural a nós. 

Homem e mulher são apenas palavras e está aberta a todo o tipo de interpretações desde que respeitemos a liberdade do outro. Há sitios no mundo onde a liberdade nem sequer é uma palavra sonhada e é isso que não podemos permitir, tanto a mulheres como a homens. 

A nós mulheres, continuemos a lutar por nós e por todos os outros, a mudança vai demorar anos, talvez milénios se não destruirmos o planeta até lá. A vocês homens, sejam também a vossa melhor versão e vão ver que a diferença é minima entre nós e vocês. Afinal o que é ser homem? O que é ser mulher? Sejamos acima de tudo felizes. 

Feliz dia da mulher (atrasado) para todos aqueles que se afirmam e se sentem como tal 

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