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No que diz respeito a concertos nunca fui uma pessoa de gostos vincados, não me importo se fico no balcão x, no lugar y ou em pé na plateia, acaba sempre por depender da companhia e quais são as suas preferências. Este ano fui a quatro concertos, dois dos DAMA, um de Florence + The Machine e Scorpions. São bandas totalmente opostas e naturalmente com públicos totalmente diferentes e nunca tinha pensado nisso até ao passado dia 21 de outubro. Comecei o ano em Évora a ver os DAMA, andei um bocadinho no tempo e cheguei até Florence e a sua maravilhosa 'Queen of Peace', chorei com Scorpions e esperava cantar e divertir-me bastante com DAMA agora no MEO Arena. 

Não me iludo, sabia perfeitamente que não podia esperar o mesmo tipo de público em DAMA que encontrei em Scorpions por exemplo. Tendo eu 22 anos já estava mentalizada que a faixa etária na sexta-feira seria bem abaixo da minha. Tudo bem, sou uma pessoa pacifica e sei que gosto de uma banda que se ainda estivesse eu nos meus 14 anos seria menina para dormir agarrada a posters deles. Sabia que teria de aguentar uns gritinhos (berros!), choro, hormonas mais que aos saltos, tudo certo, já tive essa idade e sei o que é achar que os nossos idolos são homens que pura e simplesmente a única coisa que fazem é serem para lá de giros e cantarem músicas que ficam no ouvido e que parece que foram cantadas para os nossos dramas juvenis.

Tolerei isso, esperava pior.... O que não esperava era o drama dos smartphones. Adolescentes de 14/15 anos conseguiram tornar o concerto num inferno para mim não porque berravam para que eles lhe fizessem um filho ou dois, não por choradeira desenfreada mas porque à minha volta tudo o que era miúda não largou a porcaria do telemóvel. Elas eram snapchat, eram diretos no facebook, era mensagem de voz para a amiga no whatsapp. Não me importaria se isso não tivesse afetado diretamente a minha experiência no concerto. 

Não faço questão de ficar nas primeiras filas da plateia, não tenho particular gosto por ter uma vista desafogada do palco porque apesar de gostar dos artistas faço mais questão de ouvir a música que cantam. Não faço questão (não não não!) mas gosto de olhar uma ou outra vez para o palco, foi impossivel, com tantos telemóveis à minha frente não consegui ver uma coisa que fosse. É isto que os miúdos (olha ela a achar-se toda adulta) que valorizam hoje em dia? Captar os momentos através dos telemóveis para ter gostos, visualizações e comentários? Eu preferia mil vezes que tivessem gritado até à rouquidão, chorado até à desidratação porque isso significava que estavam a viver o concerto e a apreciá-lo. Em Florence quando se cantou 'Queen of Peace' a última coisa que pensei foi em smartphones ou redes sociais, desde a primeira vez que ouvi aquela música que me apaixonei e quando foi cantada fechei os olhos e senti uma paz enorme, senti-me tão feliz e calma que será um momento que nunca esquecerei. 

Tenho medo que os miúdos hoje em dia estejam a perder a capacidade de viver os momentos na ânsia de gostos ou visualizações. Assusta-me que prefiram guardar tudo em video quando podiam eternizar tudo na memória, e porra, quando um concerto é bom tu não te esqueces do que te marcou, ficas anos a falar de como foi bom e como anseias por outro assim.

Na sexta o concerto tornou-se um inferno, só não me fui embora mais cedo porque tenho amor ao dinheiro e os bilhetes não foram propriamente de borla. 

Por favor meninas, chorem, puxem o cabelo, gritem mas da próxima vez que forem a um concerto deixem os smartphones nos bolsos. Vão ver que ficam a ganhar muito mais do que popularidade momentânea nas redes sociais. 

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publicado às 12:01



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