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De Ténis e Livro na Mão

Façam o favor de ser felizes!

De Ténis e Livro na Mão

Façam o favor de ser felizes!

Da série: Frases com sentido

Junho 02, 2017

Filippa

 “Não há quem sustente mais tremendas lutas do que os tímidos. A alma revolta-se neles, com toda a violência dos seus instintos, contra não sei que mistério de temperamento, que lhes reprime as expansões. Na aparência é fraqueza e serenidade, mas no íntimo há esforços realizados, que os fortes nem concebem sequer.”

A Morgadinha dos Canaviais de Júlio Dinis 

Da série: Frases com sentido.

Maio 31, 2017

Filippa

“É preciso que saibas, Criste, que é mais fácil conhecer os defeitos de uma pessoa, do que as suas boas qualidades. Os defeitos são imprudentes e linguareiros, denunciam-se, dão sinal de si, basta meia hora para se descobrirem em qualquer lugar que habitem. As boas qualidades, não; essas são modestas, humildes, discretas, sabem esconder-se. São precisos anos para as descobrir todas.”

A Morgadinha dos Canaviais de Júlio Dinis 

 

Um património do tamanho do mundo.

Abril 19, 2017

Filippa

 Vergonhosamente aqui admito pela centésima vez que há muito tempo não lia autores portugueses. Deixei-me andar pela má vida e negligenciei este gosto que tanto prezo. Depois da aventura de ler a biografia do Hitler decidi voltar a um campo tão nosso, a literatura portuguesa. Estou decidida a acabar os livros que tenho na estante ainda por deitar a vista, são cinco e apenas um era português por isso comecei por aí. 

"A Morgadinha dos Canaviais" é o que estou a ler atualmente e só queria saber expressar por palavras a sensação que foi voltar a casa. Acho que até hoje nunca me tinha apercebido do privilégio e prazer que é ler em português. Passei demasiado tempo por autores estrangeiros e por obras traduzidas e por muito boa que seja a tradução (o que vamos admitir que muitas vezes não é) há sempre algo que se perde no meio da passagem de idioma x para português.

Conhecemos as palavras, choramos com o desfecho, não dormimos com o enredo mas há algo muito pessoal que se deixa pelo caminho quando a língua original é deixada para trás. No nosso português por exemplo costumam dizer que saudade é uma palavra que não tem tradução para mais nenhuma lingua, são sete letras que formam algo com uma sonoridade completamente "tuga". É certissimo dizer isto, o mesmo se passa com as traduções dos livros, pode ser tudo muito bem traduzido, até mesmo aquelas expressões carateristicas de certo povo mas há sempre algo que se perde, é como se no ínicio o livro tivesse sido entregue com 100% de alma e paixão e quando chega a nós leitores resta apenas uma pequena percentagem.

Ler em português é receber a alma de um autor no seu estado mais puro, não há barreira da lingua, quanto muito há palavras que não percebemos mas isso deve-se mais a nós do que propriamente ao livro. Ler em português é ler aceleradamente como se a cada parágrafo a excitação aumentasse, é dar jeito à fala das personagens, interpretar em voz alta na nossa cabeça exatamente  como se a cena se passasse mesmo à nossa frente. 

Sinto-me diferente por ter voltado à base, ler autores portugueses deixa-me muito feliz e foi preciso ficar tanto tempo afastada para perceber a falta que me fazia. Afinal toda esta aventura começou bem lá longe com "Uma Aventura no Palácio da Pena" e no conforto que me deu saber as pedras da calçada que as personagens pisaram e o monumento  que serviu de paisagem à história. 

Sabem aquele conforto bom que sentimos quando está a chover e nós estamos em casa bem tapadinhos e quentinhos? Cheguei à conclusão que ler em português é o meu cobertor quentinho em dias chuvosos, é a minha proteção e o meu conforto, aquele que nos faz aquecer a alma e no fim nos diz "vês como somos capazes de escrever coisas belas?" 

Temos muito património, o nosso país é uma arte conjunta de natureza com monumentos e gentes incriveis mas muitas vezes esquecem-se de referir esta jóia que é a nossa literatura. Seríamos dos países mais ricos do mundo se a riqueza se medisse pela qualidade da literatura. Que bom é descobrir como a leitura ainda me proporciona momentos e sensações tão boas 

 

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Cinco meses.

Abril 03, 2017

Filippa

Cinco meses. Cinco meses foi o tempo que demorei a ler a primeira biografia que me comprometi a fazer. Há uns dois anos (?) quando saiu a biografia de Hitler no Expresso apressei-me a fazer a coleção, essa parte da história é algo que me fascina muito e como só tive história até ao 9º ano senti que ainda era muito ignorante neste assunto. Demorei a começar e demorei ainda mais a acabar. Desde novembro até agora as minhas leituras não foram nada mais nada menos do que a vida, os delirios, a personalidade, a excentricidade de um dos maiores assassinos, ditadores e lunáticos da história mundial. 

Não sei se foi por ser a biografia da pessoa em questão mas confesso que me custou mais do que estava à espera, tal como já disse nunca tinha lido nenhuma biografia, sempre fui moça de romances e fantasia e esta aventura foi mais desgastante do que o esperado ao inicio. 

Desgastante mas ao mesmo tempo enriquecedor, ler esta biografia fez-me refletir muito e aprender em igual medida. Costumo dizer que é preciso conhecer o passado para estarmos preparados para o futuro e acho que esta leitura veio na altura certa. O mundo está a pôr-se perigoso de novo, os intolerantes, xenófobos e racistas estão outra vez a sair da toca e a tomar a liberdade de pôr todos os seus preconceitos em prática. Não me estou a preparar para uma guerra, não tenho mochilas na despensa com mantimentos, estojo de primeiros socorros e água mas parece que paira no ar esta sensação de "não estaremos em paz muito mais tempo" e se realmente vier a acontecer não é algo que me vá apanhar de surpresa. 

Hitler foi uma personalidade única na história mundial, um ditador assassino, preguiçoso, paranóico, frustrado, preconceituoso, intempestivo, dono de uma capacidade única na hora de falar para os seus seguidores mas acima de tudo muito esperto. Cada vez me convenço mais que Hitler era muita coisa, a maioria delas má mas era uma pessoa muito esperta e que surgiu na altura certa. Altura certa para destruir a europa claro mas há sempre as alturas ideais, até para fazer mal. 

Adolf Hitler em situações normais não seria ninguém, um homem que nunca fez nenhum da vida, um falhado que nunca admitia os seus erros, uma pessoa que desde toda a sua juventude até à fase adulta nunca fez nada de relevante, não estudou, não quis aprender nenhum oficio, um moribundo que chegou a não ter casa mas que mesmo assim, mesmo sendo um inútil com ideias muito próprias conseguiu destruir uma Alemanha avançada e moderna. Este homem foi capaz de pôr pessoas contra pessoas, este assassino não tinha compaixão por ninguém, nunca teve pelos judeus como é óbvio mas na hora da derrota nem pelos seus queridos alemães teve misericórdia. 

Hitler aconteceu porque as circunstâncias assim o permitiram, a Alemanha vinha da "ressaca" de uma humilhação na primeira guerra mundial, as pessoas estavam mal, a economia estava péssima, o desemprego era alto. Havia necessidade de meter a culpa em alguém e ele como que apareceu como o salvador da pátria, o messias que iria fazer da Alemanha a grande potência que nunca tinha deixado de ser. 

Soa familiar? A mim também. Hitler foi um homem cheio de sorte, mesmo quando a sorte da guerra estava a mudar para a Alemanha ele conseguiu escapar a uma tentativa de assassinato, ele achava que estava destinado, que a Providência o protegia, ele realmente estava destinado mas era a destruir tudo o que lhe pudesse fazer comichão. 

A vida dá muitas voltas e se tivesse sido noutra altura provavelmente o ditador que todos bem conhecem nunca teria saído da sarjeta mas a verdade é que ele existiu e talvez seja bom lembrar que nunca estamos livres de pessoas assim. Eu prezo muito a minha liberdade, sou feliz por poder escrever este texto e o máximo que me pode acontecer é receber uns comentários maldosos. Sou grata pelo país onde vivo, pelos valores que tenho e por sermos um povo onde a diversidade encaixa. Aprendi muito com esta biografia, foram cinco meses de uma aula de história infindável. Sinto-me um bocadinho mais rica em conhecimento e no fim posso dizer que foi uma leitura agradável, dificil mas ao mesmo tempo prazerosa. Cobarde como era Hitler matou-se e mandou que queimassem o seu corpo e o de Eva Braun antes que os soviéticos lhe pudessem meter a mão mas não há dúvida que pela sua singularidade este homem seria obra de um grande estudo. Ele foi um assassino, um dos piores que há memória mas também tinha o seu lado inovador, já naquele tempo ele acreditava que por exemplo as estradas e os automóveis seriam a forma de nos movimentarmos no futuro. Não estava errado. 

Um cobarde que levou milhões de pessoas à morte (não esteve sozinho mas foi o principal responsável), um sujeito que nunca se quis comprometer com nada, um propagandista em estado puro, um paranóico agarrado ao poder e um convencido que se achava mais inteligente e preparado que todos os outros. Ainda bem que assim foi, ainda bem que Hitler nunca confiou no seu exército, ainda bem que ele se tornou chefe supremo das forças armadas e que começou a ditar estratégias militares que levaram à catástrofe. Se assim não tivesse sido podiamos viver num mundo muito diferente. 

Foi uma leitura muito rica a vários niveis e apesar da demora em ler, fiquei com o bichinho das biografias. Agora regressarei aos meus romances mas logo logo voltarei a ler sobre pessoas marcantes da nossa sociedade

 

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