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De Ténis e Livro na Mão

Façam o favor de ser felizes!

De Ténis e Livro na Mão

Façam o favor de ser felizes!

Demasiado?

Junho 01, 2017

Filippa

Normalmente sou uma pessoa com inicios difíceis, quando me apanho confortável em alguma situação a mudança é algo muito agressivo e que estranho muito. Sou assim nas relações com as pessoas, sou muito tímida ao inicio e só quando começo a ganhar alguma confiança é que fico mais à vontade. Acontece-me o mesmo no trabalho, quando comecei ficava sempre nervosa e com medo de fazer algo errado, com o tempo fui ficando mais à vontade e os erros não pareciam algo do mais grave que podia acontecer (porque efetivamente não eram). A minha relação com os clientes também sofreu algumas metamorfoses, sendo uma loja de rua é mais fácil criar algum tipo de empatia com pessoas que vão lá todos os dias, as coisas acabam por ser mais naturais e reais. 

Com os clientes que raramente lá vão ou que são de passagem não há qualquer relação, "olá boa tarde, vai desejar saco?" e está a andar de mota, nunca mais os vejo na vida ou se voltar a ver será com o mesmo tratamento. O mais perigoso são as pessoas que lá vão todos os dias, pessoas que nos tratam pelo nome e que às vezes nos tratam com uma familiaridade que não há. Explico, as pessoas podem tratar-nos pelo nome porque até temos uma placa de identificação mas para mim é impensável tratá-las da mesma maneira, não me parece certo e apesar de não me importar nada que me tratem pelo nome, até gosto, parece uma coisa de outro mundo tratar o cliente pelo seu nome. Isto porquê? Porque me conheço e já aconteceram situações em que só me apetecia ficar calada, demoro a ficar à vontade com uma pessoa mas quando fico às vezes sou um bocadinho demais. Já aconteceu eu achar que até estava à vontade com um certo cliente e depois ele faz-me uma cara do género "Do que é que estás para aí a falar?" e eu ficar do género "Nop, não volto a fazer isto". Uma situação concreta: Todos os dias acontecem situações normais do funcionamento de um supermercado, um cartão que não funciona, uma senhora que não trouxe saco, uma compra que ficou esquecida e eu como até ainda sou nova memorizo as situações e na próxima vez que atender aquele cliente em jeito de brincadeira relembro-lhe da situação. Na maioria das vezes corre bem, o cliente ri-se e até elogiam a minha memória mas das poucas vezes que as pessoas ficam a olhar tipo "wtf?" para mim eu fico: a) Não era este cliente? Que barraca; b) Porque é que me sujeito a estas figuras?. 

Acabei por optar por não me deixar demasiado à vontade, imponho a mim mesma um código restrito, prefiro que seja o cliente a mostrar o à vontade que já pode existir entre nós do que ser eu a dar barraca uma vez mais. Nunca aconteceu nada de grave até porque apesar do que escrevi em cima não sou nenhuma barraqueira desbocada em ascensão mas não me posso esquecer que sou a imagem da empresa, não posso agir como agiria em nome próprio. Um sorriso, um bom atendimento, um tom correto pode tudo ser anulado por uma má impressão ou um deslize que muitas vezes não fazemos por mal. 

 

Aqui me confesso: Lenta e organizada.

Maio 30, 2017

Filippa

Em tudo na vida nós encaixamos em certas categorias. Somos da equipa que acorda de mau humor, pertencemos ao clã que não consegue comer nada de manhã, defendemos com unhas e dentes a máxima "só funciono depois do meio dia" ou então nascemos para ter o cartão de sócio do grupo "preguicite aguda". Não podia ser diferente quando o assunto toca a arrumar as compras na caixa do supermercado. Temos as pessoas que metem tudo nos sacos conforme vão caindo no seu lado da caixa e rezam para que os ovos que ficaram em baixo não cedam ao peso da fruta, há clientes mais corajosos que mesmo levando meio supermercado recusam saco porque "0.10€ já é dinheiro" e fazem malabarismos dignos de serem admitidos no circo Cardinali, por vezes aparece por lá aqueles que até arrumam tudo direitinho, as coisas mais pesadas em baixo, fruta em cima e tal mas depois na hora de pagar lembram-se que a carteira estava dentro do saco e toca de tirar tudo, muita gente acha também que os sacos são tipo a malita da Hermione em Harry Potter e os Talismãs da Morte e tentam enfiar tudo no mesmo saco ora porque não trouxeram mais nenhum ora porque não querem gastar os tais 0.10€. As pessoas adquirem os seus hábitos e conforme esses hábitos são encaixadas em categorias. Há os rápidos, os lentos, os organizados, os desorganizados e por aí fora. Onde encaixam os operadores de caixa? Falando apenas e só por mim eu encaixo nos lentos e organizados. Quando estou a trabalhar e sabendo quais são os objetivos impostos pela empresa os lentos são uma dor de cabeça para mim, não que me incomodem mas acabam por atrasar a fila mas quando sou eu na fila para pagar sou a pessoa mais lenta do mundo, tanto que agora não arrumo nada na caixa, assim que a operadora passa o artigo no scanner eu volto a pôr no carrinho e arrumo tudo direitinho cá fora. Porquê? Porque sou organizada e gosto de arrumar as coisas segundo o seu peso, tamanho e categoria. Não gosto de juntar fruta com detergentes ou produtos secos com produtos do frio, quando estou a trabalhar faz-me muita confusão quem junta tudo, dá vontade de dizer "Senhora/Senhor que está a fazer? Isso não é assim!" mas quem sou eu para dizer isso? Cada pessoa tem a sua maneira de ser e era só o que faltava chegar ali eu armada em dona da razão a dizer como podem as pessoas ou não arrumar as suas compras. Antes de trabalhar num supermercado não era assim, honestamente nem fazia muitas compras mas agora que as faço não consigo arrumar tudo "ao molho e fé em Deus", acho que como vejo isso acontecer tantas vezes ao dia criou-se em mim um mecanismo de "isto tem de chegar a casa bonito e direitinho". 

Esta sou eu, a operadora que ama de coração os rápidos e desorganizados mas que no fundo é uma eterna lenta e organizada. Alguém por aqui que se inclua na mesma categoria que eu? 

Há desconto especial para as super pessoas?

Maio 26, 2017

Filippa

Não me imagino num trabalho que não tenha contacto com o público, muitas vezes é chato e sabendo que fica mal dizer isto eu vou dizê-lo na mesma, muitas vezes as pessoas são más e fazem-no de propósito. Há dias em que parece que mais nada de mal pode acontecer e mesmo assim aparece outra situação para nos provar o contrário. 

Felizmente em três anos de atendimento ao público estas situações ficam lá bem em baixo, são poucas e diariamente acontecem outras que me deixam feliz e remetem as más experiências para o fundo da minha mente. Passa de tudo um pouco pelas nossas mãos e ainda bem, há dias em que fico tanto tempo seguido a atender e a passar artigos que se não fosse a peculiaridade de cada um dos clientes sentia-me como uma máquina: "Boa tarde/Vai desejar saco?/Tem cartão?/Vai desejar contribuinte na fatura?", naquelas horas o cliente chato, o que gosta de achar que tem sempre razão, o amoroso, o que só quer despachar-se dali para fora tornam-nos humanos porque fazem com que nós tenhamos de ter atenção a cada um deles e não mexer apenas os braços o mais rápido que conseguimos para fazer bons tempos na caixa e diminuir a fila. 

Presenciamos todos os dias situações insólitas e há umas que me tocam verdadeiramente. Lá na loja existe uma senhora que se reformou para cuidar dos pais, infelizmente o casal adoeceu ao mesmo tempo e a tal senhora acabou por pedir a reforma antecipada. Vocês dirão: "E então Filipa? Não é algo assim tão raro.". É, vocês sabem que é. Quantas histórias ouvimos de idosos que são abandonados nos hospitais ou em lares? Vocês deviam só ver o cuidado e o carinho com que aquela senhora fala dos pais, ela chega a passar uma hora na loja (que é minúscula) e a maioria das coisas são para eles. Dou valor e fico mesmo tocada por atitudes como estas da mesma maneira que fico horrorizada quando leio histórias contrárias. 

Há muito tempo que atendo também uma senhora que tem um filho com trissomia 21 (é o que me parece) e o seu marido também ficou um pouco perturbado deixando de conseguir ser uma pessoa "normal". Há dias em que ela aparece-me na caixa com um ar muito abatido, já não é nova e os problemas de saúde por vezes são um problema mas na maioria das vezes aparecem sempre os três, ela a clara comandante da tripulação, o marido e o filho a reboque dela. Nunca a vi dirigir uma palavra mais brusca a nenhum deles, tem a maior calma do mundo e enquanto me paga a conta encarrega-os de arrumar as compras, mesmo que depois de pagar tenha de arrumar tudo ela outra vez. 

Estas pessoas são incriveis, olho para elas e considero-as uma inspiração, dá gosto atender mesmo que atrás delas venham pessoas intragáveis que só nos fazem querer soltar uns impropérios (seria lindo). Este é um dos privilégios de poder lidar com a nossa espécie todos os dias, aprendemos sempre algo, rimos de alguma situação e sinceramente, se estas pessoas sorriem para a vida, como posso eu não me sentir motivada e inspirada para trabalhar e ser melhor? Sabem o que é pior? Nunca poderei dizer a estas pessoas o quanto elas me inspiram e o quanto gosto de as atender, seria no minimo estranho mas ao mesmo tempo seriam palavras que mereceriam ouvir. Mereciam ou não mereciam um desconto especial por serem pessoas absolutamente espetaculares?  

Uma frase linda linda linda.

Fevereiro 01, 2017

Filippa

Hoje na loja entrou um senhor assim mais para o (muito) velhote e como ele já é cliente habitual já temos um certo à vontade com ele.

Enquanto se falava de futebol e o senhor estava a falar com uma amiga sua, o meu colega vira-se para a senhora e diz:

"Ah não ligue ao que ele diz, já tem mais de 100 anos, já está muito velho".

A isto o senhor simplesmente respondeu:

Sou um jovem até ao dia que morra. 

O senhor disse aquilo com imensa naturalidade e eu achei uma frase tão linda. Realmente não é a nossa idade que nos define mas sim o nosso estado de espírito. Podemos chegar aos 70/80 anos e mesmo assim sentirmo-nos uns jovens com ainda sonhos por concretizar, objetivos a atingir e uma felicidade imensa para dar. 

Por isso, hoje quem passe aqui, seja jovem, adulto ou já na idade de sopas e descanso...

Sejam felizes, mantenham o melhor de ser jovem em cada um de vocês à medida que a vida faz de nós experientes

A vida não está fácil para ninguém.

Janeiro 20, 2017

Filippa

Caixa curta #2

A fila não está muito grande, é fim da tarde e chegam dois rapazes para pagar, contas separadas claro.

O primeiro compra só um pacote de bolachas de pequeno almoço da belvita. São só 2€ e pouco mas paga com o cartão multibanco. Ora o nosso terminal de pagamento já teve melhores dias e basta o cliente meter o cartão mal ou antes do tempo e aquilo simplesmente bloqueia. Claro que bloqueou com o rapaz.

- Isto não está mesmo a correr bem, primeiro somos eliminados da taça de Portugal e agora bloqueamos a caixa, só faltava a menina ser benfiquista e ser você a safar-nos desta. 

Eu claro caladinha que nem um rato, sou benfiquista ferrenha. É caso para dizer que a vida não está fácil para ninguém, principalmente para os sportinguistas 

O que vale é que os rapazes estavam cheios de boa disposição 

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