Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

De Ténis e Livro na Mão

Façam o favor de ser felizes!

De Ténis e Livro na Mão

Façam o favor de ser felizes!

Um património do tamanho do mundo.

Abril 19, 2017

Filippa

 Vergonhosamente aqui admito pela centésima vez que há muito tempo não lia autores portugueses. Deixei-me andar pela má vida e negligenciei este gosto que tanto prezo. Depois da aventura de ler a biografia do Hitler decidi voltar a um campo tão nosso, a literatura portuguesa. Estou decidida a acabar os livros que tenho na estante ainda por deitar a vista, são cinco e apenas um era português por isso comecei por aí. 

"A Morgadinha dos Canaviais" é o que estou a ler atualmente e só queria saber expressar por palavras a sensação que foi voltar a casa. Acho que até hoje nunca me tinha apercebido do privilégio e prazer que é ler em português. Passei demasiado tempo por autores estrangeiros e por obras traduzidas e por muito boa que seja a tradução (o que vamos admitir que muitas vezes não é) há sempre algo que se perde no meio da passagem de idioma x para português.

Conhecemos as palavras, choramos com o desfecho, não dormimos com o enredo mas há algo muito pessoal que se deixa pelo caminho quando a língua original é deixada para trás. No nosso português por exemplo costumam dizer que saudade é uma palavra que não tem tradução para mais nenhuma lingua, são sete letras que formam algo com uma sonoridade completamente "tuga". É certissimo dizer isto, o mesmo se passa com as traduções dos livros, pode ser tudo muito bem traduzido, até mesmo aquelas expressões carateristicas de certo povo mas há sempre algo que se perde, é como se no ínicio o livro tivesse sido entregue com 100% de alma e paixão e quando chega a nós leitores resta apenas uma pequena percentagem.

Ler em português é receber a alma de um autor no seu estado mais puro, não há barreira da lingua, quanto muito há palavras que não percebemos mas isso deve-se mais a nós do que propriamente ao livro. Ler em português é ler aceleradamente como se a cada parágrafo a excitação aumentasse, é dar jeito à fala das personagens, interpretar em voz alta na nossa cabeça exatamente  como se a cena se passasse mesmo à nossa frente. 

Sinto-me diferente por ter voltado à base, ler autores portugueses deixa-me muito feliz e foi preciso ficar tanto tempo afastada para perceber a falta que me fazia. Afinal toda esta aventura começou bem lá longe com "Uma Aventura no Palácio da Pena" e no conforto que me deu saber as pedras da calçada que as personagens pisaram e o monumento  que serviu de paisagem à história. 

Sabem aquele conforto bom que sentimos quando está a chover e nós estamos em casa bem tapadinhos e quentinhos? Cheguei à conclusão que ler em português é o meu cobertor quentinho em dias chuvosos, é a minha proteção e o meu conforto, aquele que nos faz aquecer a alma e no fim nos diz "vês como somos capazes de escrever coisas belas?" 

Temos muito património, o nosso país é uma arte conjunta de natureza com monumentos e gentes incriveis mas muitas vezes esquecem-se de referir esta jóia que é a nossa literatura. Seríamos dos países mais ricos do mundo se a riqueza se medisse pela qualidade da literatura. Que bom é descobrir como a leitura ainda me proporciona momentos e sensações tão boas 

 

18043179_10211070016842928_12819569_o.jpg

 

2 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D